Desejo em Poesia




























































































































































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A carícia perdida

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,

Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,

A carícia que vaga sem destino nem fim,

A carícia perdida, quem a recolherá?

Posso amar esta noite com piedade infinita,

Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.

Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.

A carícia perdida, andará... andará...

Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,

Se estremece os ramos um doce suspirar,

Se te aperta os dedos uma mão pequena

Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.Se não vês essa mão, nem essa boca que beija...Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,

Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,

No vento fundida, me reconhecerás?

 

 Alfonsina Storni



- Postado por: Ju às 19h33
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Menina e moça

A Ernesto Cibrão

 

Está naquela idade inquieta e duvidosa,

Que não é dia claro e é já o alvorecer;

Entreaberto botão, entrefechada rosa,

Um pouco de menina e um pouco de mulher.

 

Às vezes recatada, outras estouvadinha,

Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;

Tem cousas de criança e modos de mocinha,

Estuda o catecismo e lê versos de amor.

 

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,

De cansaço talvez, talvez de comoção.

Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,

Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

 

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,

Olha furtivamente o primo que sorri;

E se corre parece, à brisa enamorada,

Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

 

Quando a sala atravessa, é raro que não lance

Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar

Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance

Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

 

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,

A cama da boneca ao pé do toucador;

Quando sonha, repete, em santa companhia,

Os livros do colégio e o nome de um doutor.

 

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;

E quando entra num baile, é já dama do tom;

Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;

Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

 

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo

Para ela é o estudo, excetuando-se talvez

A lição de sintaxe em que combina o verbo

To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

 

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,

Parece acompanhar uma etérea visão;

Quantas cruzando ao seio o delicado braço

Comprime as pulsações do inquieto coração!

 

Ah! se nesse momento, alucinado, fores

Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,

Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,

Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

 

É que esta criatura, adorável, divina,

Nem se pode explicar, nem se pode entender:

Procura-se a mulher e encontra-se a menina,

Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

 

Machado de Assis



- Postado por: Ju às 02h41
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Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

 

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

Luís de Camões



- Postado por: Ju às 23h25
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Côncavo e Convexo

Nosso amor é demais

E quando o amor se faz

Tudo é bem mais bonito

Nele a gente se dá

Muito mais do que está

E o que não está escrito...

 

Quando a gente se abraça

Tanta coisa se passa

Que não dá prá falar

Nesse encontro perfeito

Entre o seu e o meu peito

Nossa roupa não dá...

 

Nosso amor é assim

Prá você e prá mim

Como manda a receita

Nossas curvas se acham

Nossas formas se encaixam

Na medida perfeita...

 

Este amor é prá nós

A loucura que trás

Esse sonho de paz

E é bonito demais

Quando a gente se beija

Se ama e se esquece

Da vida lá fora...

 

Cada parte de nós

Tem a forma ideal

Quando juntas estão

Coincidência total

Do Côncavo e o Convexo

Assim é nosso amor

No sexo...

 

Este amor é prá nós

A loucura que trás

Esse sonho de paz

E é bonito demais

Quando a gente se beija

Se ama e se esquece

Da vida lá fora...

 

Cada parte de nós

Tem a forma ideal

Quando juntas estão

Coincidência total

Do Côncavo e o Convexo

Assim é nosso amor

No sexo...

 

Roberto Carlos



- Postado por: Ju às 06h31
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Recebi este meme do amigo Paulo, em que falamos de nós e colocamos nossos gostos e algo mais. Os escolhidos deverão repassar aos amigos avisando-os em seus blogs.

 

Um mês: Dezembro

Um ano: 2005

Uma letra: J

Uma estação: inverno

Uma flor: Rosa vermelha

Uma fruta: Morango e banana

Uma matéria: Português e História

Um passatempo: Filmes e blogs

Um esporte: futebol

Um herói: Meu pai

Um exemplo: Minha mãe

Um filme: Psicose(original)

Uma música: diversas, nenhuma especial agora

Um programa de tv: Relacionados a crimes, tipo arquivos do FBI e filmes antigos

Um time: Clube Atlético Mineiro

Uma mania: acho que pode ser considerada as pernas inquietas

Uma profissão: Psicóloga

Um sonho: Casar e ter filhos. Emagrecer uns quilinhos

Um coisa importante: Ter fé em Deus

Um sorte: Ser feliz plenamente em tudo

Um medo: de ter alguma doença grave e sem cura

Um amor: O amor próprio

Um perfume: Annete

Adoro: tomar cerveja

Odeio: mentira

Amigos: Tenho poucos, mas acho valiosa uma grande amizade

Um lugar: Minha casa

Um cheiro: de pessoa cheirosa

Um horário: 23h

Um sorvete: chocolate

Um ciúme: das minhas coisas

Uma cidade: Belo Horizonte

Uma dor: da perda  (em vários sentidos)

Um saudade: de vários momentos felizes que já vivi, muitos.

Um hobby: Ver filmes e blogar

Uma peça de roupa: nada específico

È indispensável: realizar-se

Um website: O meu- Encantos de Ju

Um defeito: Ansiedade demais

Uma qualidade: inteligência

Uma comida: gosto de tudo menos insetos e peixe cru

Um doce: de leite e chocolate

Uma lanchonete: nada em especial

Um restaurante: nada em especial

Uma frase: "Volte seus olhos para dentro. Contemple suas profundezas. Aprenda primeiro a conhecer-se! Então compreenderá porque está destinado a ficar doente e talvez evite adoecer no futuro"-Freud

 

 

3 alegrias

 

1-     Minha família

2-     Acordar feliz da vida

3-     Quando emagreço

 

3 medos

 

1- De não me realizar em tudo que quero

2- de ter alguma doença grave e sem cura

3- de perder a quem amo

 

3 objetivos

 

1-     Ser feliz na minha profissão

2-     Independência financeira, uma hora vai vir

3-     Amar alguém

 

3 obsessões atuais

 

1- Meus blogs e sites

2-Emagrecer uns quilinhos

3- Não sei, acho que só essas duas

 

Fatos surpreendentes:

 

1-Um pai matar um filho

2- Viver mais de 100 anos

3- O quanto sou esperta pra tanta coisa, às vezes me surpreendo , rs!

 

Repasso para Mary 



- Postado por: Ju às 15h11
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Beijo eterno

Quero um beijo sem fim,

Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!

Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,

Beija-me assim!

O ouvido fecha ao rumor

Do mundo, e beija-me, querida!

Vive só para mim, só para a minha vida,

Só para o meu amor!

 

Fora, repouse em paz

Dormindo em calmo sono a calma natureza,

Ou se debata, das tormentas presa,

Beija inda mais!

E, enquanto o brando calor

Sinto em meu peito de teu seio,

Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,

Com o mesmo ardente amor!

 

...

 

Diz tua boca: "Vem!"

Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama

Todo o meu corpo que o teu corpo chama:

"Morde também!"

Ai! morde! que doce é a dor

Que me entra as carnes, e as tortura!

Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,

Morto por teu amor!

 

Quero um beijo sem fim,

Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!

Beija-me assim!

O ouvido fecha ao rumor

Do mundo, e beija-me, querida!

Vive só para mim, só para a minha vida,

Só para o meu amor!

 

Castro Alves



- Postado por: Ju às 20h31
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O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,

tira-me o ar, mas não

me tires o teu riso.

 

Não me tires a rosa,

a lança que desfolhas,

a água que de súbito

brota da tua alegria,

a repentina onda

de prata que em ti nasce.

 

A minha luta é dura e regresso

com os olhos cansados

às vezes por ver

que a terra não muda,

mas ao entrar teu riso

sobe ao céu a procurar-me

e abre-me todas

as portas da vida.

 

Meu amor, nos momentos

mais escuros solta

o teu riso e se de súbito

vires que o meu sangue mancha

as pedras da rua,

ri, porque o teu riso

será para as minhas mãos

como uma espada fresca.

 

À beira do mar, no outono,

teu riso deve erguer

sua cascata de espuma,

e na primavera , amor,

quero teu riso como

a flor que esperava,

a flor azul, a rosa

da minha pátria sonora.

 

Ri-te da noite,

do dia, da lua,

ri-te das ruas

tortas da ilha,

ri-te deste grosseiro

rapaz que te ama,

mas quando abro

os olhos e os fecho,

quando meus passos vão,

quando voltam meus passos,

nega-me o pão, o ar,

a luz, a primavera,

mas nunca o teu riso,

porque então morreria.

 

Pablo Neruda



- Postado por: Ju às 20h51
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Foi um beijo...

foi um beijo onde não importava a boca

só tuas mãos quentes me apertando pelas costas

nada estava acontecendo na minha frente

e a ansiedade que havia não era pouca

teus dedos perguntavam pra minha blusa

se meu corpo acolheria um delinqüente

descoladas as línguas um instante

minha resposta saiu um tanto rouca

 

  Martha Medeiros 



- Postado por: Ju às 21h49
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Amor Maduro

O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado.Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro. O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão. Basta-se com o todo do pouco. Não precisa nem quer nada do muito.Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso. É feito de compreensão, música e mistério. É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança. O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber.Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento. Basta-se com a própria existência. Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado. O amor maduro é a regeneração de cada erro. Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme. O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois. Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes. Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue. Não persegue, recebe. Não exige, dá. Não pergunta, adivinha. Existe, para fazer feliz. Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.

 

Artur da Távola



- Postado por: Ju às 03h13
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O chão é cama

O chão é cama para o amor urgente,

amor que não espera ir para a cama.

Sobre tapete ou duro piso, a gente

compõe de corpo e corpo a úmida trama.

 

E para repousar do amor, vamos à cama.

 

Carlos Drummond de Andrade



- Postado por: Ju às 16h48
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Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo

Na minha a sua boca eu comprimia.

E, em frêmitos carnais, ela dizia:

– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

 

Na inconsciência bruta do meu desejo

Fremente, a minha boca obedecia,

E os seus seios, tão rígidos mordia,

Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

 

Em suspiros de gozos infinitos

Disse-me ela, ainda quase em grito:

– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

 

No seu ventre pousei a minha boca,

– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,

Moralistas, perdoai! Obedeci...

 

Olavo Bilac



- Postado por: Ju às 20h20
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Nelson Rodrigues

"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível."

 

“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu”.

 

 

“Quinze anos é uma idade criminosa. Madame, eu tenho uma teoria acerca da idade feminina. Na minha opinião, a mulher só devia ter quinze anos, nem um minuto a mais nem um minuto a menos”. (De Viúva, Porém Honesta)



- Postado por: Ju às 23h05
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Pecadora

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,

A chama cruel que arrasta os corações,

Os seios rijos eram dois brasões

Onde fulgia o simb’lo do Pecado.

 

Bela, divina, o porte emoldurado

No mármore sublime dos contornos,

Os seios brancos, palpitantes, mornos,

Dançavam-lhe no colo perfumado.

 

No entanto, esta mulher de grã beleza,

Moldada pela mão da Natureza,

Tornou-se a pecadora vil. Do fado,

 

Do destino fatal, presa, morria

Uma noute entre as vascas da agonia

Tendo no corpo o verme do pecado!

 

Augusto dos Anjos



- Postado por: Ju às 21h37
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Eu te amo

 

Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir

 

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que inda posso ir

 

Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

 

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

 

Como, se na desordem do armário embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato inda pisa no teu

 

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios inda estão nas minhas mãos

Me explica com que cara eu vou sair

 

Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei de partir

 

Tom Jobim Chico Buarque



- Postado por: Ju às 01h34
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Vida e poesia

A lua projetava o seu perfil azul

Sobre os velhos arabescos das flores calmas

A pequena varanda era como o ninho futuro

E as ramadas escorriam gotas que não havia.

Na rua ignorada anjos brincavam de roda...

– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.

Só os perfumes teciam a renda da tristeza

Porque as corolas eram alegres como frutos

E uma inocente pintura brotava do desenho das cores Eu me pus a sonhar o poema da hora.

E, talvez ao olhar meu rosto exasperado

Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga

Talvez ao pressentir na carne misteriosa

A germinação estranha do meu indizível apelo

Ouvi bruscamente a claridade do teu riso

Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.

E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite

Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo E se escorrer sobre os teus lábios como um suco E marulhar entre os teus seios como uma onda Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias De que me tivesses possuído antes do amor.

 

Vinicius de Moraes



- Postado por: Ju às 16h03
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